Product Manager Bottleneck

30 de julho de 2020 • um papo de 4min sobre produto

Era um dia bem típico de SP: uns 18 graus, clima seco, pessoas em escala de cinza e paulista cheia. Passei na padaria pra pegar um pão de queijo e um café. Uma quinta tranquila como as outras.

Provavelmente eu estava escutando esse som enquanto subia o elevador do prédio. É um som que eu escuto, em geral, quando quero esvaziar a mente pra começar o dia. Gosto bastante da vibe e espero que te acompanhe bem enquanto lê esse texto.

Chegando no escritório respirei fundo e comecei o dia com todas as boas energias possíveis. Primeiras horas para alinhar os relatórios sobre as demandas de customer success e as métricas, algumas horas avaliando os dados dos últimos releases, reunião com o time de operações, acompanhamento das cerimônias de engenharia, almoço, reunião com marketing, call com cliente, reunião com o time de dados... Ops, fim do dia.

Sensação de dia mega proodutivo, volto pra casa feliz e contente ouvindo meus podcasts. Dia perfeito, certo? Eu imaginava que sim, hoje percebo que não era bem assim.

Eu já estava na empresa por tempo o suficiente para entender o modelo de negócio mas tinha acabado de mudar para a área de produto. Nesse momento me percebi como nessa figura:

Homem fantasiado de palhaço fazendo malabarismo na rua

Uma pessoa que deveria ter o domínio sobre todas as "bolinhas" da empresa para garantir que eu tivesse sempre todas as respostas.

Imaginava que essa era a única forma de trabalhar com produto e se não soubesse responder algo, ou não estivesse a par de alguma movimentação na empresa, certamente não estaria fazendo o meu trabalho direito. Essa parecia ser a forma certa de trabalhar e tudo parecia funcionar bem... Dias perfeitos, não é mesmo?

Foi ai que eu me percebi:

  • Atrasando o ritmo de entrega das equipes
  • Não conseguindo acompanhar todos os assuntos (farei outro texto sobre a diferença entre "estar" e "ser" presente nas reuniões)
  • Gerando estresse em mim e nos outros

Nas leituras aleatórias do dia acabei encontrando esse texto no Mind The Product : How to Avoid Becoming a Bottleneck que começa com uma história peculiar que na hora me abriu os olhos: o esforço do meu dia a dia gera um resultado que realmente vale esse esforço?

Organizando a mente

Depois dessa leitura eu tirei um dia para trabalhar de casa e refletir sobre as prioridades do time de produto que eu fazia parte. Post-it na parede, mente aberta e novamente o som que eu te recomendei lá em cima.

Reorganizei os assuntos mais importantes, tanto no ponto de vista de negócio quanto no ponto de vista de processo, e me fiz uma pergunta: o que depende somente de mim e o que é mais importante agora?

Tirando o fato de que "saber definir a palavra 'importante' " levou um bom tempo desse dia, cheguei no final com um panorama incrível. De todas as coisas que eu deveria priorizar agora, boa parte delas não estava nas reuniões recorrentes do meu dia a dia. Anotei isso e finalizei o dia.

Na manhã seguinte tinha programado papos rápidos com os stakeholders envolvidos nas iniciativas que estávamos tocando e também com o meu time. O meu foco era ouvir a resposta deles para a pergunta que eu havia me feito: o que é mais importante pra você agora e como eu posso te ajudar com isso?

Percebi que boa parte das iniciativas não precisavam de mim diretamente, na verdade era bem o contrário. Os processos estavam travados em mim esperando respostas que eu também não tinha.

No fim desse dia 50% das reuniões recorrentes tinham desaparecido das nossas agendas, criamos um board na parede com os assuntos prioritários que cada equipe estava tocando e criamos syncs mensais de resultados e próximos passos.

Aquela reunião que poderia ser um email

Confesso que sou fã de alinhamentos no sentido de manter as pessoas "dentro do jogo". Mas os alinhamentos tem uma capacidade enorma de se tornarem reuniões sem propósito quando a gente se perde em como comunicar:

  • Onde estamos e pra onde vamos
  • O real motivo das pessoas estarem ali

Por isso começamos um exercício paralelo de criar guias de comunicação e execução para esses alinhamentos (não faço ideia se vai dar certo, mas se der eu escrevo aqui).

Mas o ponto mais importante pra mim com essa história foi a minha descoberta sobre o papel real que eu tenho como produto quando interajo com outras equipes. Me peguei querendo saber de tudo, mas sem capacidade de executar nada :( e com isso tornei as equipes lentas e não trazendo valor pro negócio.

Me peguei querendo saber de tudo, mas sem capacidade de executar nada

Estou praticando o empoderamento das demais equipes, promovendo sempre um ambiente onde mais pessoas podem tomar decisões sozinhas a cada dia. E também criando uma cultura entre os times de alinhamento claro das visões e das estratégias do que estamos tocando.

Talvez eu tenha ido para o lado extremo do empoderamento das equipes e isso se torne um caos no futuro rs, mas se isso acontecer eu volto para os post-its na parede e conto aqui o que descobri.

me conta o que achou:

hey,
duvido você
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